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Figuras folclóricas

Toda a cidade, principalmente as pequenas, consituídas de igreja, prefeitura, hospital e pracinha, possuem personalidades que, por suas características, digamos, incomuns, se destacam entre outros, positiva ou negativamente. Em Taquari, cidade do interior do Rio Grande do Sul, onde nasci em 26 de dezembro de 1982, há muitas figuras folclóricas. Aqui em Montenegro também têm, mas prefiro relatar como são os de lá. Não sei se eles existem ainda, se já morreram ou não. Mas eu lembro muito bem deles. Os cinco são conhecidos como Clóvis, Zé Loco, Da Maria, Mara Loca e, o "pior" de todos, Laranja.

Vamos na ordem. Clóvis era um rapaz de cerca de 30 anos (isso na época em que eu morei com minha vó, entre meus 10 e 13 anos). Era extremamente fechado, porém inofensivo. Andava com um blusão de lá colorido e, de vez em quando, com uma touca, também de lã, mesmo no verão. Caminhava de cabeça baixa. No pescoço, uma série de terços e na mão um deles, onde sempre parecia estar rezando. Clóvis tinha como característica principal a maneira que ele dobrava as esquinas. Como um robô: o rapaz chegava nela, parava e dava um giro de 90 graus, arrastando seu pé de apoio no chão. Sabe-se lá por qual razão.

Zé Loco era o mais aberto de todos. Tinha opinião para qualquer assunto. Estava sempre acompanhado de um carrinho de mão, sem nada dentro, e uma capar de chuva amarela. Lembro de uma conversa que ele, Reno (um amigo que faz tempo que não o vejo) e eu tivemos em frente à casa de minha vó.

- E aí, Zé? Que anda fazendo?

- Procurando serviço. Mas quando meu carrinho estiver vazio, pode ter certeza que tô sem serviço.

- Mas teu carrinho está sempre vazio!

- É... Vamos mudar de assunto?

Da Maria parecia ser o mais ameaçador. Cara fechada e sempre bravo. Mas não falava nada. Segundo a lenda, seu apelido, "Da Maria", provém da traição de sua mulher, Maria. Ela teria colocado chifres no pobre homem, o que o deixou maluco. A garotada gitava para ele "Da Maria! Da Maria!". Ele olhava, resmungava e continuava seu trajeto.

Mara Loca era louca mesmo! Cabelo sempre molhado, roupas justas e curtas em seu feio corpo magro. Andava falando alto pelas ruas, xingava todo mundo (principalmente as crianças) e brigou várias vezes, de dar porrada mesmo. Contudo, a moça tinha uma misteriosa paixão. Ninguém, até hoje, sabe ao certo quem. Muitos desconfiam que sejam por Zé Loco. Lembro de ter perguntado algo para ele em relação a isso. A resposta foi excelente.

- Prefiro a Bruxa do 71.

Agora, Laranja. Não sei o porquê de seu apelido. Mas chamar ele de Laranja de uma forma a qual ele não gostasse era motivo para o caos. Sempre trajado com havaianas, calça social e camisa manga longa xadrez. Contantemente estava com barba por fazer. Tinha uma bicicleta Barra Circular (sabem?) e pedalava forte e rápido, o suficente para te alcançar em segundos.

Certa vez, no colégio onde estudei da 6ª a 8ª série, Barão de Ibicuí, Laranja estava passando em frente à instituição. Eis que um dos meus colegas atacou.

- E aí, Laranjaaaaaaaaa!!!!

Bem, era hora do intervalo. Uma chuva de pedras e tijolos começou cair no pátio da escola. Laranja arremessava os objetos um atrás do outro, do lado de fora do colégio, onde os petardos passavam por cima da grade e caíam como bombs, colocando todos em pânico. Eu e meu colega (Jânio, me lembrei do nome dele), ficamos escondidos atrás de um pequeno muro, perto da secretaria, onde ouvíamos os estrondos dos tijolos caindo no chão e batendo nas paredes. Gritos, balbúrdia, correria. O Barão de Ibicuí se transformou na Faixa de Gaza. Corajosamente, a diretora entrou na linha de tiro e gritou para Laranja parar. Não adiantou. A Brigada foi acionada, e, aí sim, o maluco se conteve.

Dicas para quem quer conhecer Taquari. É uma cidade de cerca de 30 mil habitantes, cerca de 120 quilômetros de Porto Alegre. O ponto turístico é a Lagoa Armênia, que fica no Centro da cidade e em frente ao Hospital São João (ou São José?). Em época de Natal, há o Natal Açoriano, que é uma peça de teatro feita nas margens da lagoa, muito bonito e bem melhor que a Paixão de Cristo que é feita em Montenegro. Ah, e não chamem o Laranja de Laranja. Aliás, não falem com ele.



- Postado por: Ronan Dannenberg às 09h15
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Guasca

Lendo o A Poison Tree me inspirei em contar estórias e parar, pelo menos por hora, de fazer comentários sobre a mídia.

Certa vez, em uma época em que estudar jornalismo e trabalhar na mesma área ainda eram metas, estava eu em uma agência do Banco do Brasil de Vendinha. Little Store, como muitos também chamam, é o 4° distrito de Montenegro, cidade do interior do Rio Grande do Sul onde resido, a cerca de 70 km de Porto Alegre, com aproximadamente 55 mil habitantes. A agência de Vendinha, localidade que conta com cerca de 1,5 mil pessoas, é minúscula, porém, suficiente para a demanda local. Existe um bancário (que atende pelo nome de Urach) um caixa-eletrônico, uma mesa de gerência com cadeira sem gerente e outros quatro assentos para os clientes, além de uma porta giratória com detector de metais, exigida por lei.

Em uma manhã de outono de 2000, estava eu sentado na cadeira da mesa de gerência sem gerente, aguardando minha vez de ser atendido. Não lembro o que estava eu fazendo lá, mas provavelmente minha tarefa era pagar uma conta de alguma revendedora de produtos veterinários. Na época, eu trabalhava em uma veterinária, ou pet-shop, ou agropecuária, ou como queiram chamar. Não haviam filas físicas e concretas no banco, até pelo reduzido espaço do recinto. Era por ordem de chegada.

Haviam umas sete ou oito pessoas quando um indivíduo, conhecido na Vendinha por João Beiço, adentra o Banco do Brasil. Até hoje não sei qual a razão de "João Beiço". Ele não possui lábios espessos e carnudos, bem pelo contrário. É alto, magro, mas não tanto, é careca, mas poucas pessoas sabem de sua calvície, pois sempre está com um boné de algum posto de gasolina está enfiado em sua cabeça.

Uma das características de João Beiço é sua "guasquesa". Ele é extremamente tosco. Reza a lenda que ele já tentou cortar a perna de um indivíduo com uma motosserra para provar que ele é quem sabia operar o equipamento, e não outro elemento. Não sei qual a sua profissão, mas sei que, no verão, planta e vende melancias.

Após ele ter passado na porta-giratória com detector de metais, João começou a olhar para o equipamento. Entrou e saiu da agência mais três vezes, parecendo que estar fazendo um teste na porta. O guardinha, que não recordo o nome, mas é um dos caras mais cagados que conheço neste mundo, estava de olhos arregalados diante do fato. A agência inteira, Urach, clientes e o guardinha, ficou atenta. Com um chinelo havaianas, um calção azul (clássico) da Adidas e com uma camisa polo, bem judiada por sinal, João puxou um faca enorme da cintura e ergueu-a.

- Grandes merda esta porta. Entrei e saí com minha faca por essa bosta e nada aconteceu!

Dá para imaginar a gritaria e a correria dentro do cubículo. Os únicos que não se intimidaram foram eu e o Urach, que já conheciam a figura. Não sei o que aconteceu com o guardinha, mas dizem que ele correu até o orelhão mais próximo e foi pedir para a mãe dele o buscar. Melhor para mim. Pulei várias posições na fila e paguei a conta sem stress.



- Postado por: Ronan Dannenberg às 09h35
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Seqüência de chinelagens

Domingo e segunda-feira vi três personalidades que fazia um bom tempo que não as tinha conferido na TV. Nos programas mais chinelos possíveis, mas vi.

No domingo vi Adilson Rodrigues, o Maguila, no programa da Márcia Goldschimidt, comentando o caso Luma de Oliveira. Bem, enquanto tomava a bebida feita com gemada, mel, marcela e leite, especialmente preparada por minha amiga Juliani, não conferi o que o ex-boxeador disse em relação ao caso. Aliás, qual o embasamento que o brutamontes tem para falar sobre isso? Deve ter muito, pois o peso-pesado seguidamente aparece em programas com o sistema parecido (como o da Hebe, da Luciana Gimenez, da Adriane Galisteu...) para "comentar". Sem lutar mais, ele deve estar se sustentando com isso. Me lembro da luta que vi no SBT (na época TVS) de Maguila contra George Foreman. O cara já foi ícone do boxe nacional e hoje paga mico na TV.

Bem, a segunda personalidade que vi foi Dercy Gonçalves, no Ratinho. Continua a mesma velha de sempre, falando palavrão, onde todo mundo aplaude e ri. O mais legal é que, na tela, estava escrito: "Dercy, dando exemplo de vida e humor". Ao mesmo tempo que esta legenda estava estampada, ela dizia: "Eu não gosto de médico. Ninguém precisa ir, não vão!". Bom exemplo minha velhinha. Segundo Dercy, caro leitor, morra em casa, não procure um médico.

A terceira figura foi Juca Chaves. Nem sabia que ele ainda existia. Vi ele na Rede Vida, em um programa chamado Estação Futebol. A abertura do programa é fantástica, toda ela feita em computação gráfica. Um trem-bala percorre toda uma cidade fictícia até chegar em uma estação. Dela, dá para ver um estádio de futebol. Dentro dele, cai uma enorme bola, com as palavras "estação" e "futebol" rodeando a esfera. Entenderam a genialidade da vinheta? Estação Futebol. Muito bom... Bem, voltando a Juca Chaves, ele também não nudou. Continua com sua viola, contando e cantando piadas que, como sempre, ninguém ri, só ele. Agora podem me xingar. Eu devo procurar coisas melhores para fazer.



- Postado por: Ronan Dannenberg às 09h21
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Aula de guitarra

Marcos de Ros é um excelente guitarrista. Ele é de Caxias do Sul. Faz carreira solo e toca na promissora Akashic. Em seu site, existem algumas pérolas. Uma delas eu fiz questão de colocar abaixo. Trata-se de uma aula de guitarra. Sem comentários. Só ler para crer (ou não).

"Estou escrevendo para vocês para relatar um fato absolutamente verídico que ocorreu comigo no ultimo verão. Estava eu calmamente sentado na sala onde dou aulas de guitarra, na rua Sinimbu, 2091, sala 118, em Caxias do Sul, no dia 14 de fevereiro de 99, um sábado, quando repentinamente, em meio a uma seqüência de arpejos em Sol Menor, ouvi um estrondo muito forte, vindo da rua. Olhei pela janela e apenas pude observar uma luz esverdeada. Decidi então, sair para a rua para tentar identificar a origem da luz e do barulho que me distraiu dos meus arpejos. Qual foi a minha surpresa ao ver que o causador dos distúrbios acima relatados era na verdade, um disco voador, ou OVNI, se bem que não poderia ser chamado de Objeto Voador Não Identificado, uma vez que ele estava identificado, com a placa em lugar visível. O curioso era a placa, que era de Varginha, MG. Vocês podem imaginar a minha surpresa ao constatar o fato, afinal, discos voadores são bastante raros, eu mesmo só vi uns 7 ou 8 até hoje. Pois, não é que uma luz muito forte me puxou para dentro da nave! Uma vez lá dentro, consegui me comunicar sem maiores problemas com os alienígenas, inclusive jogamos animadas partidas de bisca e, para meu espanto, jogamos também o jogo do Gugu, mas devo admitir que perdi, pois eles são muito bons em mímica! Bom, a conversa ia boa, falando desde amenidades, sobre o clima e família e também de assuntos polêmicos, como o profundo significado de alguns capítulos de Baywacht, até que eles me pediram o que eu fazia na terra. Quando eu falei guitarrista, meu amigo, foi uma loucura! Depois de horas de jams sessions com o pessoal, eles me ensinaram uma frase. Como exercício introdutório, me passaram a primeira, só para pegar a manha. Só não toquem muito alto, pois você pode atrai-los com estas notas!!!"



- Postado por: Ronan Dannenberg às 09h02
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Gribado

Ondem fui cobeborar os 10.000 acessos do HeavyRS. Borém, dão boram muidos convidados. Além disso, eu esdava (e ainda esdou) gribado. Binha noite de dobingo para segunda dunca foi dão besada. Deixarei bara rebledir quando eu esdiver belhor. Ah, recobendo olharem Encondros e Desencondros. Ele é beio enrolado, bas é buido engraçado. Olhei ele no GNC, em Novo Hamburgo. Dunca tinha ido lá. Prefiro o Cinebark (com certeza...).  Adé bais...



- Postado por: Ronan Dannenberg às 09h11
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*Esse layout é uma criação exclusiva de Bruno Maximus*