Um episódio com Gremilda Era uma noite segunda-feira em um ambiente estressante de trabalho. Durante o dia costumava ser mais, porém, muitos funcionários que ficam à noite estão em sua rotina além do tempo por estarem atrasados, acabando por ficarem mais estressados ainda. Computadores, sala ampla, branca, uma bela vista da cidade. Quatro indivíduos, um homem e três mulheres fazendo seus deveres em um mesmo setor. Porém, uma das moças teria um momento especial naquela noite. Gremilda provém do interior do Estado. É graduada em duas faculdades. Porém, é herdeira de uma característica muito peculiar e extremamente visível: sua feiúra. Ela é baixa e gorducha (balão, sabe?). Isso seria normal. Mas Gremilda conta com um rosto único (leia-se horroso), cabelos negros e secos como palha e formato estético fora do normal. Anda parecendo um João Bobo, pois as coxas se engalfinham disputando quem vai tomar frente a cada passo. Os braços ficam abertos em seu caminhar. O pior de tudo: usa roupas justas. Naquela noite, Laura e Astolfa estavam conversando ao lado de Vanderlei, este trabalhando intensamente, pois já eram 22h30min e ainda restavam pilhas de tarefas a cumprir. Laura recebeu um e-mail. Nele, contava fotos de homens nus. Bagaceira de carteirinha, ela chamou Astolfa para ver as imagens. Comentários do tipo "nossa, que coisa mais borrachuda!" ou "porquê eles cortam tanto assim os pêlos?" eram constantes. As exaltações a cada figura que ambas viam despertou a curiosidade de Gremilda. Ela, em termos de cargos, era chefe de todos os outros três. Imponente, saiu de sua mesa e se deslocou até as entusiasmadas funcionárias, que não a viram chegar. Vanderlei já previa uma longa discussão, uma catástrofe. Gremilda costuma discutir na frente de todos, fazendo o que se constuma chamar de barraco. A feiosa postou-se atrás de ambas, a mais ou menos dois passos, e começou a ver juntamente e indiretamente cada foto. A sensação de Gremilda foi algo inexplicável, surpreendente. A cada figura, só faltava escorrer gotas de saliva de seus finos e hediondos lábios. Ela passava a língua em sua boca como se estivesse faminta pelo que via. Em instantes, Vanderlei, que parou de fazer sua tarefa tamanha era a empolgação do canhão, imaginava que Gremilda pularia no computador e cometeria um ato que, sem sombra de dúvidas, comprometeria toda sua vida. O mesmo teve que sair do setor para rir um pouco. Após Laura fechar o e-mail, a balãozinho voltou para sua mesa. Parecia tudo normal. Na saida, Gremilda começou a cantarolar, o que era comum ela fazer. Mas não com tanto entusiasmo. Faltou bater os calcanhares no ar, como Charles Chaplin. Foi embora junto com Astolfa e deixou Laura e Vanderlei no recinto, trabalhando. O moço pediu uma pizza, dividiu com Laura e refletiu consigo mesmo o que tinha visto. E se lembrou: Gremilda, pela sua feiúra, devia ser virgem. Duvidavam que havia algum homem tão macho, mas tão macho a ponto de "ferir" a pobre mulher. Talvez para Gremilda, a esperança é a última que morre. - Postado por: Ronan Dannenberg às 13h46 [ ] [ envie esta mensagem ] Vevéio - parte I - introdução Imagine o Taz. Lembram dele? O personagem da Warner que vive na Tazmânia, gira feito um furacão, é peludo e resmunga (não fala). Bem, a versão humana do desenho animado vive a poucos metros da minha casa, só não gira. José Valério Kuhn, trinta e poucos anos, é trabalhador de serviços gerais. Mais conhecido por Vevéio, gosta das tradições gauchescas, mesmo que não as pratique com rigor. Estudou pouco (se chegou a quarta série, é muito). É casado com Maria, tem um casal de filhos, sendo que o menino é o mais velho. Reside em uma casa doada pelo seu pai, que é proprietário de uma madeireira. Seus hobbies: andar em sua égua cinza, beber (muito) e conversar, mesmo que a outra pessoa não entenda o que ele fale.
Vevéio costuma ser conselheiro. Tem opiniões, geralmente absurdas. Seu corpo é parecido com o de Taz, pernas finas e tórax entroncado (?). Possui uma força considerável, pois já vi ele carregar dois tocos enormes de madeira, um em cada braço, o que totaliza, imagino, mais ou menos uns 150 quilos. Costuma ser parceiro em atividades sociais de cunho festivo, como cavalgadas que terminam em bebedeira. Geralmente, costuma sumir na noite visitando os butecos da região. Isso faz com que sua esposa o procure, batendo de porta em porta, inclusive na minha casa. Ah, Maria é fanha. Não tanto, mas é. A comunicação entre ambos é algo fantástico. Algo como um marciano se comunicando com uma buzina de calhambeque. Vevéio, quando pode, ajuda meu pai em algumas tarefas. Destas feitas, não é incomum ele aparecer em minha propriedade procurando por meu genitor.
A versão humana de Taz conta com muitas histórias, que contarei na seqüência. - Postado por: Ronan Dannenberg às 17h52 [ ] [ envie esta mensagem ] O choque Não lembro a minha idade, mas estava em casa quando vi a cena. O Jornal do Almoço nunca foi um programa. Ele é algo não muito bem bolado nem muito bem organizado que passa ao meio-dia trazendo diversão, de uma forma direta ou indireta. Lembro dos cenários antigos. Daquele com parede branca, logotipo JA com uma bola no meio do A, com algumas fotos de Porto Alegre ao fundo (isso é padrão da RBS). A Maria do Carmo com um cabelo em que devia armazenar suas jóias. Não imaginava, na época, outro esconderijo melhor. Paulo Santana vestindo camiseta do Inter, vestido de baiana, fumando em pleno estúdio. E o tradicional e inesquecível "boa tarde" de Lasier Martins. Hoje, o Jornal do Almoço mudou. A horrorosa Rosane Marchetti e sua parceira, Cristina Ranzolin (eu preferia ela na Globo apresentando Jornal Hoje - lembram?), tornam o programa chato. Contudo, a chatice desapareceu quando, certa vez, um fato inusitado ocorreu. Foi em 1998 ou 2000, pois a Festa da Uva só ocorre de dois em dois anos. Melhor que Taquari, que faz a Festa da Laranja, do Limão e do Mel quando dá. E faz tempo que não dá. Bem, Jornal do Almoço no ar e Lasier Martins entra ao vivo, direto de Caxias do Sul, ao lado das soberanas da festa. Ao seu lado, um mostruário com alguns produtos, se não me engano tinha uvas (capaz???), rodeado de luminárias e com uma abertura de vidro e metal. - Crsitina, estamos direto da Festa da Uva e, aqui ao meu lado, podemos ver alguns dos produtos que podem ser confer... AAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRRRRRGGGGGGGGGGGGGGHHHHHHHHHHHHH!!!! Lasier toma um choque comparado a tortura feita aos brasileiros em época de Ditadura. O comentarista cai no chão, duro, com microfone, retorno e tudo. Imagine ele se retorcendo para as câmeras? Os telespectadores só vêem a imagem chegando ao chão, pois o câmera deixou seu equipamento para salvar Lasier. Podia-se ver as pernas do careca e as soberanas pedindo socorro. Até que, finalmente, alguém atinou a cortar a imagem de volta para o estúdio. A cara da Cristina Ranzolin era algo. Talvez uma cena melhor que o choque. Uma mistura de "vi um fantasma" com "e agora?". No seu retorno deve ter soado algo do tipo "fala alguma coisa, mulher!!!". - Tivemos alguns problemas técnicos, voltamos após o intervalo. Após o forçado comercial, Cristina volta ao ar dizendo que estava tudo bem com Lasier Martins e não tinha sido nada mais do que um acidente. Dias depois, Lasier volta para dar seus comentários. Depois de ter feito Jornal do Almoço ao vivo de Itaqui (lembram de todos os integrantes do programa sentados em cadeiras comuns nos especiais em cada cidade?), voltar para dizer o que ele disse nada mudaria. Para ele. - Voltamos com o comentário de Lasier, que não teve uma boa experiência. - alfinetou Cristina. - É um retorno chocante. - respondeu, sem rir. Aliás, eu nunca vi ele rir. - Postado por: Ronan Dannenberg às 11h25 [ ] [ envie esta mensagem ] Ah, o outono! No último dia 19 finalmente acabou o verão. Maldita estação que traz uma série de problemas, ainda mais para aqueles gaúchos branquelos que se queimam facilmente, que ficam malhados como pedreiros (nada contra) e com a marquinha do relógio de pulso no pulso. A estação que nos faz trabalhar com condicionadores de ar a todo vapor. Obriga a nós sairmos na rua e exigir o máximo do desodorante. Traz mosquitos, mal-estar e faz com que os corpos, belos ou não, fiquem à mostra. O verão é época de praia no Rio Grande do Sul. Congestionamentos na FreeWay, acidentes e mortes. Tempo em que a noite chega às 21 horas, fazendo com que você pouco curta a lua e as estrelas. Calor, queimação, muito protetor solar. Chinelo, bermuda e regata. A necessidade de um banho a cada cinco minutos, mesmo sem poder fazer isso. Ah, e ainda há o Carnaval... Ou seja, ainda bem que ainda não estou no Nordeste. Porém, chaga o outono. Poderei colocar minhas roupas meia-estação. Aquela brisa suave que bate no rosto de quem resolve caminhar no fim da tarde. Um friozinho, gostoso, não exagerado como o do inverno. Folhas caem e dão um clima gótico, porém bonito, a qualquer lugar. O crepúsculo fica diferente, mais triste e sentimental. Época de Sexta-feira Santa, Páscoa, Dia do Trabalho e Dia das Mães. Ninguém sua tanto como um cavalo no sertão e nem passa frio como uma forma de gelo. E o melhor de tudo, outono antecede o inverno... Ah, o inverno... - Postado por: Ronan Dannenberg às 18h12 [ ] [ envie esta mensagem ] O medo Um dos sentimentos mais temidos, se não "o mais", que um ser humano pode ter é o medo. Atualmente, um dos meus milhares de problemas que tenho que urgentemente resolver, mas não consigo, conta com este inimigo. Qual a razão? Já pensei em tudo, desde de como poderei conseguir alcançar meu objetivo até de como será depois de o mesmo estar concluído. Porém, para chegar até ele, preciso passar por esta batalha. Armas contra o medo: coragem, determinação e objetivo. Se os terei, isso só quando eu começar a guerra. E que termine com final feliz. - Postado por: Ronan Dannenberg às 17h59 [ ] [ envie esta mensagem ]
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