Como uma professora é importante A faculdade de Comunicação da Unisinos é uma das melhores do Brasil, mesmo ganhando C no Provão do MEC por boicote dos alunos. Conta com bons equipamentos, como câmeras, microfones, computadores e programas de edição. Possui uma TV que abrange a grande São Leopoldo e uma Rádio que é uma das melhores FM's do Estado, mesmo tomando rumos comerciais cada vez mais evidentes. Eu que faço Jornalismo tive professores muito bons, como o realista e engraçado Paulo Torino e o abrupto e irônico Zé Hoffmeister. Estes já não ministram mais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Para o pesadelo dos alunos. Ficaram, então, algumas coisas que temos que aturar no decorrer dos intermináveis semestres. Coisas como Bia Marocco. Tenho o desejo que ela leia e ao mesmo tempo que não leia estas linhas. Seu sobrenome lembra uma família que artomentou minha amiga, cuja namorava alguém com este parentesco. Bia tem aspecto fúnebre, fala rouco, é magra e anda geralmente com vestidos longos, de cores sóbrias, mas nunca iguais. Tem um cabelo pintado com um castanho queimado que deixa suas madeixas secas, além de combinar com seu rosto. Usa sempre espécies de amuletos, que meu colega da cadeira de Redação Jornalística II costuma dizer que "são coisas de macumba". Geralmente usa sandálias que exibem um pé mal cuidado, principalmente se reparamos as unhas. Não sei sua idade, mas aparenta uns 60, mesmo acreditando que ela não tenha isso. Bia, infelizmente, não sabe ministrar suas aulas. Ela jamais entende os alunos. Dá tarefas que muitos consideram ridículas, por não entrarem diretamente no contexto da disciplina. Além de Red II, eu faço neste semestre Jornalismo Online com a professora. Captei seus conhecimentos informáticos em uma aula mórbida como são as dela. - Como tu fez isso? - perguntou ela a mim querendo saber como fiz para aumentar o tamanho da fonte em um site que a própria face da morte indicou. - Simples. Eu cliquei aqui e a fonte aumentou. - Mostrei a ela uns "botões" na tela onde podiam ser feito o aumento do tamanho da letra. - Aaahhh... Em aulas que, a princípio, seriam práticas, mergulham em teorias mirabolantes que circulam, circulam e não chegam a lugar nenhum. Como que em uma cadeira de Redação Jornalística pode se admitir que na sexta ou sétima aula (não sei!) que não tenha se produzido uma linha sequer??? E em uma de Jornalismo Online que não se estuda praticando o meio, e sim lendo o que um webdesigner canadense tem a dizer, ditando regras de como devem ser os sites como se todos fossem iguais. Nestas horas, penso nos cento e sessenta e poucos que pago por mês em cada cadeira (faço cinco!). Faço cada uma, aprendendo em algumas, me interessando por outras e, no fim das contas, só serei um bom jornalista se procurar outros meios além da universidade. Por graças, faço isso. Pô reitor, traz o Torino de volta! Vou encerrar, pois Bia está perto de mim. Estou em aula. - Postado por: Ronan Dannenberg às 21h17 [ ] [ envie esta mensagem ]
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