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Somos músicos desde pequenos (parte III)

Eu tinha por volta dos 10. Era uma linda tarde de sei lá que dia e eu estava por fazer aniversário ou estava se aproximando do Dia das Crianças... algo assim. Foram minha mãe e eu atrás de um presente para mim. Brinquedos, roupas, doces... Não. Foi justo na loja Colombo, em Montenegro, que a possível salvação da banda Power se criou.

Um teclado. Aqueles pequenininhos. Marca: CCE. Funcionava diretamente na energia elétrica ou com várias pilhas grandes. Ritmos, Bass Aux, bateria eletrônica, 16 instrumentos diferentes... uma jóia.

Mas a dedicação ao teclado foi exclusivamente minha. A banda tinha parado enquanto eu ficava tentando mexer naquela coisa. Lembro que já utilizáva-mos subterfúgios, como a resistente poltrona de Seu Edegar, cuja Vitinho não poupava pancadas, capas de fitas cassestes, caixas de fósforos, entre outras porcarias. 

Descobri como tocar o Hino do Grêmio (que meu pai ficou com aquele pensamento "esse é meu filhão"), Parabéns a Você e... "Oh L'Amour"... Sim, a clássica música do Erasure. Bem, aprendi só o refrão (e de maneira muito tosca). Com um dedo, eu reproduzia as "possíveis" notas deste hino.

Apresentei minhas composições para Daniel. Nada de entusiasmo até então. Até então. Foi quando executei "Oh L'Amour" que o lendário guitarrista da Power encheu seus olhos e viu que a salvação do mundo era possível.

Consegui tirar mais uma música: "Não Vou Mais Te Segurar", do Nenhum de Nós. O nome Power foi cansando e deu lugar a Name Out (para inglês tosco, a banda "Sem Nome"). Criamos um logotipo, possíveis capas... o sucesso nos aguardava.

Mais ensaios foram saindo, a alegria volatava a tona. Contudo, não durou muito. As diferenças musicas iam surgindo aos poucos. Vitinho queria comprar a bateria de Deca, um velho músico da comunidade, da famosa Banda do Deca (que, assim como o Megadeth, já mudou de formação trilhões de vezes). O propósito de Vitinho era tocar bailão, fato que eu e Daniel jamais concordamos.

Minha veia Rock/Metal foi pulsando cada vez mais forte e nossos gostos nos dividindo. Tanto que o Name Out e a Power ficaram para trás. Meu tecladinho (com adesivos coloridos da revista Teclado) continua guardado e funcionando. Vitinho hoje trabalha em uma farmárcia e é freqüentador assíduo de bailões. Daniel administra a Padaria Vila Rica é o único que ainda escuta e gosta das músicas e do estilo que dava cara a banda, aquele Pop Rock clássico e comercial. E eu sou o que sou.

Mas essas coisas nunca têm fim. Nunca. Não voltaria com a Power do jeito que ela era, com certeza.

Contudo, se fizermos um Bon Jovi, pode ser...



- Postado por: Ronan Dannenberg às 22h43
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Somos músicos desde pequenos (parte II)

Antes de mais nada, vamos explicar quem é Vitinho, o Cabritinha.

A lenda de Vitinho está traçada desde que boatos surgiram na comunidade relatando que ele teria estuprado a cabrita de estimação de seu pai, o Seu Análio. Análio, já falecido (que Deus o tenha), era um gremista fanático. Bebiiiiiiiiia... Mas era um sujeito muito legal. Foi goleiro em épocas clássicas. Tanto que eu o coloquei no time que fiz no Fifa Soccer, onde eu era volante, Vitinho atacante e Daniel meio campista. Esse time era o Paineira FC, que existiu na vida real e fiz parte dele. E que renderá outros posts.

Retornando... Vitinho nega com veemência qualquer ato de violência sexual com a cabrita. Antes, quando criança, ele até levava na esportiva. Hoje, ele mata quem ousar tocar no assunto, mesmo longe dele. Como ele não lê blogs, eu não corro esse perigo. A não ser que um fofoqueiro relate a ele.

Cabritinha foi autor da música "Pobre do Animal", versão feita a partir do clássico do Pink Floyd "Another Brick in the Wall". A letra era mais ou menos assim (tente cantar no ritmo da música original)

"Atirei o pau no gato / Mas o gato não morreu / Dona Chica, admirou-se / Miaaaaaaaaaaaaaaaauuuu!!!! / POBRE DO ANIMAL!!!"

Diga-se que com riffs alucinantes de guitarras (bocais) e uma bateria mostruosa de "tum pá, tum pá".

Bem, a bateria...

Os guitarristas seriam Daniel e eu. Vitinho queria ser baterista. Seu Edegar, pai de Daniel, é dono de uma padaria. Até hoje. E estabelecimentos deste naipe costumam comprar em quantidades absurdas enormes latas de margarina, doce de leite, entre outros. Destas latas, montamos a bateria de Vitinho. Pratos, tons tons, caixa, bumbo. Tudo. Ok, tudo tinha o mesmo som. Mas era uma bateria. Para a banda Power era.

Começamos a compor. Eram legais para um bando de pirralhos. Rock 'n' Roll!!! Sem baixo! Surgiram covers de Engenheiros, Yahoo, Skank (que bela merda... ).

Mas os instrumentos não teriam uma grande durabilidade. A bateria, não tanto pelas fortes porradas que Vitinho a aplicava e mais pela sua fragilidade, ganhava reparos muito constantes. As guitarras apodreciam e sempre tínhamos que comprar mais madeira para fazer mais guitarras.

Fodeu. Os integrantes foram tomando rumos diferentes e a banda Power cada vez mais se aproximava do fim. Evandro não morava mais na cidade, a mãe de Vitinho não deixava-o ficar muito tarde na então garagem, o gravador já não era o mesmo de antes (se bem que arrumamos outro maior, do Seu Edegar, que tinha luzes piscantes ao redor do auto-falante) e nosso estímulo para fazer o instrumental com a boca já inexistia.

Mas minha mãe trouxe a salvação, pelo menos provisória.

Continua...



- Postado por: Ronan Dannenberg às 16h32
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Somos músicos desde pequenos (parte I)

Na volta da entrevista com Kiko Loureiro, no último dia 5 de julho, vim contando para meu amigo Iky uma loooonga história que há eras eu não lembrava em dissertar. A história da lendária banda Power.

OBS.: O nome não tem nada a ver com a clássica música do Helloween. Aliás, na época eu nem sabia o que era Heavy Metal, muito menos Melódico.

A história da banda Power iniciou por volta dos meus seis, sete anos de idade (hoje eu ostento 21). Junto com meus amigos Daniel e Vitinho (o cabritinha, explico isso em breve...), decidimos montar um grupo musical. Reuníamos em diversos lugares, mas em boa parte na garagem da residência de Daniel. A garagem era aberta e todos que passavam pela Rua da Paineira viam o trio soltar a voz.

Sim, a voz. A Power não tinha instrumentos. Ou melhor, tinha. Batucávamos nas pernas, no peito, no chão, em latas... Era uma barulheira só.

Bem, mas a evolução já estava traçada. Não nos contentávamos em cantar sucessos da época (de qualquer estilo musical). Decidimos transformar a banda em um tributo. Os escolhidos: Polegar. Aham, fazíamos cover do Polegar. Sem instrumentos! Guitarras, bateria, baixo (aliás, não fazíamos o baixo, pois não sabíamos o que era e nem para que servia um baixo) eram feitos com a boca. Exceto por este que voz fala, que era o vocalista (ah, o negócio começou cedo). "Dá pra mim... o seu carinho! Dá para mim...". Quem não se lembra? Havia uma briga para decidir que seria o Rafael (atualmente comedor de pilhas).

As apresentações não ocorriam. Éramos uma banda de garagem. Registrávamos nossos ensaios em um gravadorzinho do Paraguai, de propriedade do Daniel. Não sei se esses registros ainda existem, mas se tiver, me avisem!

Contudo, a falta de instrumentos foi tornando a atividade chata e cansativa (vista que a cada puxada de fôlego para fazer "tum, tum, tss" era um fiasco). Decidimos rumar para outro ramo musical. Se Polegar era Pop, o que dizer do Locomia. Rá! Grande sacada.

Não tínhamos leques, muito menos botas bicudas e ombreiras dantescas. Bem, fizemos de leques alguns galhos de sinamomo (é assim?). Com folhas. E, claro, coreografias e tudo mais. Locomia Cover. Pode? Não, não pode. Continuamos sendo a banda Power.

Com Locomia era mais fácil. O instrumental com a boca era mais simples. E desta vez todos cantavam. Destaque para Vitinho, que fazia o "cara bonito" do grupo. Mesmo ele sendo o mais feio.

Mas toda essa viadagem cansou rápido. O Locomia não emplacou outros hits e suas participações no Qual é a Música e no Viva a Noite acabaram. Eis que então, um sujeito chamado Evandro (acho que era esse o nome do rapaz), veio morar na cidade. Seu pai, seu Valentim (não é o avô da Ju), montou uma fábrica de palas, a Trilã. Evandro tocava violão. Primeiramente, convidamos ele para integrar a banda. Vale ressaltar que Evandro tinha uns 25 anos, enquanto nos aproximávamos dos 9. Ele chegou a nos acompanhar em alguns ensaios. Mas não continuou. Porém, teve uma grande idéia.

Evandro colocou em nossas mentes que precisávamos des instrumentos. Por mais falsos que fôssem. Foi então que compramos alguns pedaços de madeira no Egídio e decidimos montar as guitarras. Duas. Continuaríamos sem baixo. Pra quê baixo? Serramos as madeiras, fizemos dois triângulos, dois braços e duas mãos. Pregamos, colocamos fios de naylon (que, segundo o Seu Edegar, pai de Daniel, eram as melhores "cordas" do mundo). Feito! Tínhamos duas guitarras.

Mas e a bateria?

Continua...



- Postado por: Ronan Dannenberg às 16h06
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Kiko Loureiro

Acabei de entrevistar um guitar hero do Metal nacional. Kiko Loureiro se mostrou um cara muito simpático (mesmo entre cervejas e um iogurte derramado na calça). Isso renderá muitas palavras, em breve, no HeavyRS. Aguardem.

Ah, ele chamou o Carl de Miguelito. Genial... pena que eu não gravei isso. Mas tenho testemunhas (né, Iky?).

Aliás, como esse cara toca. Uma coisa é tu ouvir ele tocar. Outra é ver.

E ele se rumou para Vacaria. Ah, lá ele vai ver o que é ser gaúcho...



- Postado por: Ronan Dannenberg às 01h50
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